Pequenos selvagens

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Tive a sorte de crescer com muito espaço. Nas minhas memórias de infância há um jardim imenso que me parecia ter o tamanho do universo. Esse jardim era o palco de todas as minhas brincadeiras e era lá que tudo acontecia. Podia correr livremente e sentir o vento na cara a fazer cócegas. Lá podia fazer cozinhados de terra e paus. Podia rebolar no chão e encher-me de ervas secas. Podia passear a Susana depois de lhe dar o almoço. (O que foi feito da Susana, a mais paciente das bonecas?)
Nas minhas memórias de infância também há uma praia. A praia era o lugar daqueles verões que duravam meses. Lembro-me do chapéu que tinha de estar sempre na cabeça e da pele a ficar cada dia mais escura até ficar da cor do chocolate. E por falar em chocolate, lembro-me agora do gelado depois do almoço que era a melhor das sobremesas. Na praia o que mais interessava era a água e as intermináveis tentativas de fazer o mergulho perfeito (Inês, Inêsssssss, sai da água, já chega, está a ficar frio!).
Na minha infância os dias acabavam com os pés sujos, com os cabelos em desalinho e com um brilhozinho nos olhos. E é isso mesmo que desejo a todas as crianças, hoje que é o seu dia: liberdade para crescer. Um feliz dia pequenos selvagens!

O workflow da Isabel

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A decisão de me dedicar à fotografia como projeto principal foi certamente influenciada por um conjunto de fotógrafos, cujo trabalho ia seguindo, e que foram (são!) verdadeiramente inspiradores. Uma dessas musas é a Isabel Saldanha. Há na lente da Isabel qualquer coisa que transforma o instante no eterno. Há força e suavidade ao mesmo tempo. Há uma marca tão própria que faz com que imediatamente se identifiquem as suas imagens. Acho que no fundo é isso que a transforma numa artista.
Quando no início do mês a Isabel anunciou um workshop fiquei logo com muita vontade de participar. Mais do que os aspetos técnicos da fotografia estava ansiosa por absorver tudo o que envolvia a sua forma de trabalhar. E como este workshop era precisamente sobre o seu workflow não havia qualquer dúvida. Lá estaria!
Ir para algum lado com expectativas elevadas pode ser um perigo. Neste caso não foi. Foi um dia fantástico, um grupo “boa onda”, imensas aprendizagens e troca de experiências. No final soube tão bem voltar a casa com a cabeça a fervilhar de ideias. Já disse que a Isabel é uma inspiração?

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Estas são algumas fotografias tiradas nesse dia.

Casa é onde a tua história começa

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Somos o que nos rodeia e o que me rodeia são umas paredes brancas, muita luz, plantas e cor. Uma casa onde vivem dois selvagens de quatro patas e dois de duas.

Quando se abre a porta o gato Serafim está à espreita. (Sim, cá em casa gostamos de dar nomes de pessoas aos gatos.) Serafim é amarelo como um tigre. Tem dentes afiados como um tubarão, sempre prontos a dar um dentadinha. Olhos grandes de um verde intenso que nos arrebatam e nos fazem ceder a todos os seus caprichos.

Só depois aparece a gata Alice. A Alice é tímida, e por isso, quando entram humanos ela esgueira-se para debaixo do sofá. Mas não se enganem, a doce Alice equilibra o medo com a meiguice. Dizemos, em tom de brincadeira, que é uma princesa de pantufas de brancas.

E há o João. Tão alto que é o único que chega às últimas prateleiras dos armários da cozinha. Gosta de coisas de miúdo como robots, dinossauros em PVC, jogos de computador e livros ilustrados. Colecciona discos de vinil de onde saem sons dos anos 70/80’s mas também os que acabaram de sair. O João adora recuperar móveis antigos, daqueles que parecem ter saído de um filme a preto e branco. E, trata por tu tudo o que é aparelho electrónico.

É nesta casa, a nossa selva, que nos juntamos e deixamos a imaginação à solta. E, todos juntos, fazemos coisas bonitas.

Venham daí comigo, bebam um chá e sintam-se em casa.

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Hello world!

Sparklers Minines

O nosso planeta gira 365,24219 vezes durante uma órbita completa à volta do sol. Isso significa que um ano dura 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos – e não simplesmente 365 dias.

Se a cada ano contássemos apenas os 365 dias, perderíamos quase seis horas anuais, as quais precisamos de alguma forma recuperar. Assim, durante três anos contamos os 365 dias e, no quarto, o ano bissexto, recuperamos o tempo que falta acrescentando este dia: 29 de fevereiro.

É com este acerto dos astros que começo esta aventura – ter um blog.

Venham daí comigo e sintam-se em casa.